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Foram 865 inscritos de todo o Brasil. Imagens de um país diversificado e culturalmente grandioso.
A comissão de seleção e premiação, partindo de critérios como excelência de fatura, iconografia e contemporaneidade na linguagem, escolheu 25 fotógrafos nas gategorias regulamentares.
Thomaz Farkas, Prêmio Especial Porto Seguro, reconstitui esses sessenta anos de Brasil em imagens surrealistas da década de 40, nas fotos da Série do Foto Clube, e nos registros de uma Brasília além dos monumentos ao poder,
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mas no olhar dos operários da cidade, os candangos, na data de sua fundação.
João Castilho, Pedro David, Pedro Mota, Prêmio Porto Seguro Brasil, com o projeto coletivo Paisagem Submersa realizado desde 2002 no vale do Jequitinhonha, norte de Minas Gerais. Sete municípios terão parte de sua área inundada para formar o lago da Usina Hidrelétrica do Irapé. 1.151 famílias, divididas em 42 comunidades, moram ou têm terras dentro da cota de alagamento e serão removidas para outros locais, denunciam as relações impostas e as suas conseqüências na natureza e no homem.
Marcelo Zocchio e Tom Lisboa, Prêmios Pesquisas Contemporâneas, trabalham o olhar urbano de forma inversa um do outro. Marcelo Zocchio, com o trabalho “repaisagem”, entra em contato mais profundo com a história da cidade, inserindo fragmentos de fotos antigas que resultam em imagens, nas quais se ressalta a relação do tempo e do espaço urbano. Tom Lisboa trabalha com a subversão técnica fotográfica tradicional, substituindo a câmera pela fotografia sem imagem, possibilitando mostrar suas obras nos espaços públicos, pontos de ônibus, muros e tapumes. Seus trabalhos de arte pública reelaboram visualmente o olhar, apontando detalhes ocultos no espaço urbano, criando a não-foto da cidade.
Lucille Kanzawa, Prêmio Revelação, apresenta uma intimista visão da comunidade Yuba de imigrantes e descendentes de japoneses nos arredores de Mirandópolis, interior de São Paulo. De forma quase mítica, congelada no tempo, alheios às transformações do mundo, mantêm o sonho de seu fundador, Issamu Yuba, de desenvolver um estilo de vida integrando os valores da cultura japonesa à brasileira, baseados no cultivo da terra e da arte, resistindo às ordens do capitalismo.
Beto Hacker mostra outra comunidade também preservada nos seus costumes, os índios Matis, no alto Amazonas.
Um grupo de fotógrafos preocupa-se com a cidade, suas relações econômicas, sociais, humanas e culturais, registradas por Fábio Okamoto e Silvia Tonin, com imagens de São Paulo em sua arquitetura noturna. Odires Mlászho utiliza-se de imagens digitalizadas de São Paulo transformando-as em paisagens urbanas ideais. Iatã Cannabrava vê São Paulo pelas pessoas da periferia, denunciadoras de uma violência latente. Francilins Castilho com vi elas mostra uma antiga comunidade de prostituição na cidade de Belo Horizonte, com uma aguda percepção crítica. Para André Andrade a urbe aparece nos povos de rua e Fernando Aznar, nas festas paulistanas e sua caótica arquitetura, enquanto Guilherme Mohalen tem a praia e seus freqüentadores na sua mira.
A paisagem é representada pelas belas imagens de Paulo Baptista com corretas visões ecológicas. A foto de família é recuperada de forma contemporânea com Gleice Mere, o tempo do passado revisitado em Brasília de hoje, e Roberto Wagner, criando um álbum de situações familiares; enquanto Ana Ottoni apropria-se do portrait, para mostrar representantes da cultura brasileira.
A religiosidade aparece com Ricardo Labastier, com suas fotos de indução a contemplação interior. Na produção de deslocamento do olhar para uma visualidade contemporânea, Guilherme Maranhão, Fátima Roque e Gustavo Lourenção trabalham suas imagens na pesquisa da técnica, da linguagem e do suporte.
O Prêmio Porto Seguro Fotografia em sua quinta edição procurou formar uma seleção das tendências da fotografia no Brasil, na qual a diversidade iconográfica marca sua produção.
Cildo Oliveira Curador do Prêmio Porto Seguro Fotografia
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