O gerente geral do Grupo APSA (Rio de Janeiro), Marcio Murad, e o diretor
de aluguéis da Auxiliadora Predial (Rio Grande do Sul), César Gimenez, comentam o desempenho do mercado de locação em suas respectivas praças,
nos primeiros meses de vigência das alterações da Lei do Inquilinato, sancionadas em janeiro. Ambos também falam sobre valorização de preços, déficit habitacional e aumento da demanda. Acompanhe:
As mudanças na Lei do Inquilinato já se refletem em maior procura pelo seguro-fiança?
Marcio Murad: A Lei é benéfica para o seguro, mas as migrações de garantia ainda são pouco perceptíveis. Isso deve mudar, por exemplo, à medida que mais imobiliárias se “abram” ao seguro-fiança, ou seja, entendam o seu conceito
e ofereçam-no como garantia. Algumas até já começam a fazer isso nas atualizações cadastrais de seus clientes, quando percebem a “ausência”
do fiador ou que o mesmo já não tem condições de assegurar a locação.
César Gimenez: Ainda não notamos mudanças por conta das alterações na Lei. Mas nos últimos dois anos, percebemos que a preferência pelo seguro cresce devido ao fato de os inquilinos quererem evitar o constrangimento de solicitar fiança a um conhecido.
Em relação aos aluguéis, há aumento de preços, redução, estabilidade? Que fatores influenciam as oscilações?
Marcio Murad: Em linhas gerais, a tendência dos preços das locações é de crescimento. Devido ao aumento médio da renda, pessoas e famílias passam
a gastar mais com moradia, procurando melhores locais e unidades.
Esse movimento tende a elevar os preços, no Rio de Janeiro e em todo o País.
César Gimenez: O fechamento negativo do IGPM em 2009 impediu o reajuste
dos aluguéis. Por outro lado, a valorização dos imóveis, que é balizadora para fixar preços, já contribui para elevar os valores das locações.
E quanto à demanda, quais as principais observações?
Marcio Murad: Tanto no Rio de Janeiro quanto em outros Estados onde atuamos, percebemos que a procura aumentou de forma significativa e até faltam imóveis para alugar. A melhora da economia e o maior acesso a programas
de financiamento motivam a compra de unidades para fins de investimento,
ou seja, aquisição de imóveis para posterior locação. Aí, também temos um campo favorável para o desenvolvimento do seguro-fiança.
César Gimenez: A demanda cresceu tanto para as locações residenciais quanto para as comerciais. Empresas que interromperam projetos de expansão
e deslocamento de funcionários, devido à crise, já começam a retomar seus planos, o que eleva o desequilíbrio entre oferta e procura. A situação tende
a se normalizar quando a Lei, de fato, reduzir o tempo para retomada de imóveis
em caso de inadimplência, e à medida que os juros pagos por aplicação financeira diminuírem. Isso tornará o investimento em locações mais atrativo.
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